No Direction Home

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No Direction Home - Porsche 911

sábado, 16 de julho de 2016

Uma carta, talvez de partida.



Donnerstag, 14 Juli 2016
Sempre senti a necessidade de estar com alguém para compartilha meus dias, minhas horas e momentos, e como não consegui e passei muito tempo sozinho, criei a figura do sábio, aquele que só tem a solidão por companhia, e essa vontade foi alimentada ate eu conhece-la, eu não resistir a sua luz, ela entrou, iluminou minhas trevas, me fez ver como sou frágil, e como preciso de um porto seguro.
Mas os barcos não são feitos para ficarem nos portos, neh? Chega um momento que tenho que partir, e também tenho que vê-la partir. Criei camadas, proteções para não sentir dor, porem ela quebrou todas e entrou na minha vida, de modo que hoje quero compartilha vários momentos com ela.  
Eis que chegou a hora, ela vai partir, eu tenho que me acostumar com sua ausência, com a dor, e solidão novamente, e tentar melhora das feridas, e fazer com que elas cicatrizem, e claro devo guarda o que houve de bom, os momentos que pode compartilha seu abraço, seu sorriso, ou simplesmente sua presença, as longas horas de conversa e confiança que partilhamos durante esse tempo, irei guarda todas as suas lembranças que forem possível.

As tempestades que ocorrem durante o percurso, nos balançam, e ensinam a lidar com isto, a vida é um eterno encontro e despedida, e nesse jogo sempre fica algo de bom e de ruim, apenas temos que aprender a conviver e lidar com isso. A vida segue seu rumo, quem sabe atracaremos no próximo porto, e lá estaremos para novos momentos. 

domingo, 29 de maio de 2016

Garota libertaria dançante.


- solta-me, eu sou livre, sou a liberdade, sou a fúria dentro de mim, uma fúria de desejos e sons.

- Sou a dança, a dança da tua cor, do teu sangue, sou a pulsão de vida que resiste. A beleza de teus cabelos e a delicadeza de teus lábios e os toque de tuas mãos.

- Sou a força, o brilho de teus olhos e sensibilidade do teu abraço.

- Tua dança liberta, a contemplo silenciosamente, vejo sua ancestralidade, ela grita, ela a torna livre.


- Livre para voar e sonhar, teus sonhos tão cheios de vontade e potência trazem a beleza aos olhos de um louco. Eu a vejo dançando, sonhando e sendo livre!

Texto Inspirado e Dedicado a Taciana Santos.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Fortaleza, 11 de maio de 2016 dia da morte da democracia brasileira.

Em 1964 um dia durou vinte e um anos, isto custou milhares de vidas, e ainda hoje mais de 300 pessoas desaparecidas, famílias que jamais terão o direito de enterrar e se despedir dignamente de seus entes queridos. Quantas mães, filhos, esposas, maridos e amigos ainda choram por eles?
Hoje é um dia de chuva, eu que sou nordestino sempre tenho a chuva como alegria, porem hoje essa chuva tem um gosto diferente, ela me parece dor, perca. Perca de algo que para conquistamos levou vinte e um anos para ser conquistado, e agora vemos ser esfacelados nas mãos de fascistas e conservadores. Neste dia sepultamos a democracia brasileira. Vemos a direita ignorar mais de 54 milhões de votos e colocam no poder quem eles querem, sem votos e de modo indireto.
Por trás dessas ações vem uma moral, fazemos isso em nome da família, de deus, do meu cachorro, por Jerusalém e outros tantos desígnios hipócritas. Essa moral e bons costumes servem como um véu para cobrir a realidade, os conchavos políticos por trás disso. Toda essa moral é apenas para esconder roubos, preconceitos e violência.
Vemos projetos de ditadores e torturadores sendo desenterrados de seus mausoléus, e o pior é ver pessoas apoiando essa volta. O que posso falar de tais pessoas que apoiam isto?
Digo elas não leem, não pensam, e não conhecem a filosofia, e ignoram completamente a história. E caso leiam, pensem e conheçam a filosofia, e a história, penso; são mais grotescas, nojentas e egoísta mais do que eu imaginava. Pois são movida apenas por interesses pessoais e esperam tirar lucro da miséria e do massacre do outro.
Temo ter que chora por novos freis Titos, Marias, Joanas, franciscos, e Ritas que serão presos presos, torturados e mortos em porões de quarteis ou casa de horrores. Temo ver desaparecer sorrisos tão belos que me alegram, ter que chora por novos mortos me assusta.

Nesse ponto volto ainda mais no tempo e faço memória a meus ancestrais índios que foram assassinados em nome da conquista, lembro também dos negros que foram arrancados de sua terra natal, amarrados, violentados e torturados e por fim trazidos para cá como escravos. E obrigados a servir uma raça que se dizia superior. Lembro de todos os meus ancestrais que se colocaram contra esses horrores e lutaram até perder a vida,
Reverencio a todos que lutaram contra o fascismo; Zumbi, o quilombo de Palmares e todos os povos santos dos terreiros, Maculele, Rosa Palmeirão guerreira negra e capoeirista, os índios cearense que resistiram vários anos a matança impostar pelos portugueses, aos brasileiros que lutaram contra a escravidão Dragão do Mar, Castro Alves, Padre Mororo e Frei Caneca que lideravam a Confederação do Equador, aos santos que usaram a fé como forma de resistência São Francisco de Assis, Santo Antônio, Joana D’arc, São Vicente,  Gandhi, Dom Oscar Romero, Frei Tito de Alencar, Padre Henrique e Dom Helder Câmara, Lembro também de Lampião e seu bando de Cangaceiros, Dada e a Corisco, Lembro de Olga Benário, Carlos Prestes, lembro das pessoas que lutaram contra o nazismo na Europa entre elas Wilhelm Hosenfeld, as bruxas da noite que eram um grupo de aviadoras soviéticas que lutaram contra os nazistas, lembro de todas as bruxas que não conseguiram queimar, hoje somos suas netas, e lembro do povo do Vietnã que resistiram aos ataques brutais e desumanos feitos pelos USA e lembro de Cuba e de Che e todos os outros lutaram por um mundo melhor. Todos esses são meus ancestrais que só existiram para que eu estivesse aqui hoje e resistisse pelo seu sangue e memória.
Por mais que eu esteja triste pela derrota de hoje, sei que haverá diversos combates, sei isto pode até custa minha própria vida, e a dos meus camaradas, porem lutaremos com arte, amor e palavras; acredito nas flores vencendo o canhão, enquanto nosso coração e nosso tambor bater resistiremos.
Que meu pai Olorum, minha mãe Iansã, Iemanjá e Maria Santíssima, Buda, e Cristo, aliais Cristo foi vítima de tortura, e é extremamente contraditório uma pessoa que se diz cristão apoia isso ou apoia qualquer outra forma de violência, Cristo foi um pacifista. Que ele e todos os santos e Orixás nos proteja dos males que se fazem tão presentes hoje, e que eles nos deem forças para encara esses tempos difíceis que aproximam.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Ocean

                                                  Quero partir, quero encontrar o mar, quero abraça-lo e senti-lo como meu único amor, meu único e devoto ser, quero passar minha solidão com ele, o oceano tomou me a alma, tenho uma alma oceânica, quero sua profundeza, seu frio, sua solidão, e nessa solidão não mais preciso de mascaras, é onde eu me encontro face a face com a loucura e comigo. Minha solidão, meu eu, meu oceano, minha alma oceânica. Meu lugar de eterna liberdade e eterno silencio, o silencio do mar, é o mais próximo de ti que conseguirei estar, é onde me torno humano. Aonde encontro minha miséria, e tudo aquilo que é desprezado, e lá torna-se precioso, pois é o que tenho de mais meu, a minha humanidade.   

por: Marcelo Freitas. 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Nossas lutas, nossos Ananke.



Viver é um eterno movimento, é rasga-se, é lutar, é renascer, recriar-se, é um conjunto de vontades, logo nós somos frutos da Vontade, a força da vida não cabe em nós, e não provem de nós, provem da Vontade, de modo que toda nossa existência é sofrimento, o nosso “eterno vale de lagrimas”. E dentro desses sofrimentos há as nossas lutas, nossas fatalidades, em outras palavras nossos Ananke*. Podemos dividir nossas lutas em três partes, a religião, a sociedade e a natureza. Esses conflitos são frutos da nossa vontade, e disso nasce o sentimento de dependência, a necessidade, e como somos desejos, desejamos nos libertar disso tudo.
Nossa primeira dependência foi, e, é ainda a natureza, somos dependentes dela, porem lutamos para domina-la, queremos tornamos possuidores dela, a ter como nosso objeto, e sempre estamos em conflito, a maltratamos muito nesse combate, porem sempre somos vencidos, ela se mostra sempre superior, sempre soberana, dona de si, e também filha da Vontade. E como filha da Vontade, ela não é submissa, ela permite-se modificar conforme a vontade humana, mas sempre nos mostra como dependemos dela, e como ela é soberana.
Nossa segunda dependência nasce da primeira, a religião nasceu como um culto a natureza, dependemos dela, então a cultuávamos, criamos deuses e divindades com suas características, o deus do trovão, a deusa das aguas, os orixás das plantas, seres metafísicos que cuidam de cada elemento da natureza. Porem nossa vontade não suportar ser submissa a uma força, então criamos uma religião que nos tornamos filhos de Deus, Criamos uma religião que o próprio Deus deu aos humanos o domínio sobre todas as coisas, peixes, aves do céu, e animais e plantas da terra, a própria terra, é submissa ao homem.
Porem também cansamos desse Deus, e o matamos o pregamos numa cruz, sem choros e sem velas, e com ele foi todo o idealismo, toda bondade e todas as virtudes que ele pregava, e no local dele criamos instituições religiosas, ou seja, o ápice da vontade de dominar, agora não dominamos somente a natureza, dominamos também outros homens, através do medo, das riquezas, do poder e da alienação. Pegamos a vontade humana e divinizamos e colocamos como vontade suprema de Deus, quando esse “deus” não passa da vontade humana disfarçada, em mais uma forma de nos livrar do sentimento de dependência. Agora somos senhores de nos mesmo, sem deus, sem natureza, agora são homens escravizando homens, homens dependendo apenas de homens, porem os dominadores enganando-se a si mesmo, pensando que não dependem mais de nada.
E disso tudo cai na nossa última dependência, a sociedade, não dependemos mais da natureza, e nem de Deus, agora somos livres? Não, somos presos a nossas relações sociais, criamos o capitalismo, e com ele a miséria humana, homens precisando vender sua força de trabalho até a exaustão, mulheres forçadas a se prostituir, pessoas forçadas a mendiga e virarem subproduto de tudo isso, transformamos o mundo num inferno, onde nos dividimos entre almas atormentadas e diabos atormentadores.
Claro que nenhuma luta existe sem a outra, ambas são vividas simultaneamente, a cada geração elas se renovam, e se apresentam de formas diferentes, mais ainda assim continuam sendo as mesmas lutas.
A religião, a sociedade, a natureza: tais são as três lutas do homem. Estas três lutas são ao mesmo tempo as suas três necessidades; precisa crer, daí o tempo; precisa criar, daí a cidade; precisa a charrua e o navio. Mas há três guerras nestas três soluções. Sai de todas a misteriosa dificuldade da vida. O homem tem de lutar com o obstáculo sob a forma superstição, sob a forma preconceito e sob a forma elemento. Tríplice ananke pesa sobre nós, o ananke dos dogmas, o ananke das leis, o ananke das coisas. [...] A estas três fatalidades que envolvem o homem, junta-se a fatalidade interior, o ananke supremo, o coração do homem. (HUGO, 1982, p.11)
Assim caminhamos no nosso eterno vale de lagrimas, e impondo a cada geração futura o peso da existência, e condenados a pagar os preços de nossos crimes, a sangue frio. Deveríamos buscar ainda alguma virtude, ou resquício de virtudes, pois somos pobres serem lançados ao mundo, e de todos os seres somos os mais necessitados, abandonados a nossa própria miséria, devemos tomar consciência disso e buscar uma possibilidade de criar um mundo melhor. Não sei bem dizer, porém acredito que ainda haja esperança na humanidade. Devemos ver todo o nosso quadro de miséria, e transforma-la em vontade de vida. Vontade essa que não nos leve a uma autoaniquilação, e sim que, nos potencialize a fazer algo diferente e bom, assim como já tivemos os exemplos dos que romperam o véu de Maia, e fizeram sua vida expressão máxima da Vontade, e tomaram para si as dores do Mundo. Que possamos chega ao ponto de nos reconhecer em todos os seres, e que nenhuma miséria nos seja indiferente.  


Por Marcelo Freitas

*Ananke, palavra grega que significa fatalidade, ou necessidade. 


Biografia
Schopenhauer, Arthur. As dores do mundo, Edições de Ouro.
Hugo, Victor, 1802-1885. Os trabalhadores do mar/ Victor Hugo : tradução Machado de Assis. – São Paulo : ed. Abril Cultural, 1982.

Feuerbach, Ludwig, 1804-1872. Prelações sobre a essência da religião / Ludwig Feuerbach; tradução e notas de José da Silva Brandão. Campinas, SP: Papirus, 1989.

domingo, 29 de novembro de 2015

Primeira Semana do Advento, 2015.



O advento é as quatros semanas que antecede o Natal. Como já é de costume eu escrevo cartas nesse período, e é um dos melhores tempos do ano, fico feliz, pelo momento de termino de um ciclo e o começo de outro. A beleza do renascimento, a esperança volta, se torna mais forte, e se faz presente. Advento um tempo de espera, um tempo de misericórdia, o tempo onde tu ficas mais próximo. É um momento bom para refletimos sobre o ano, e o que fizemos, e também de pensar nos planos futuros.
Esse ano penso que passou bem rápido, posso avalia-lo como um bom ano, houve coisas legais, e coisas chatas também, como todo ano conheci novas pessoas, e algumas quero que fique durante muito tempo, e outras foram embora, e pela primeira vez fico feliz que elas tenham ido, acredito que foi melhor assim, é muito complicado conviver com pessoas que só pensam em si. E que inventa desculpas metafisicas para justifica atitudes que só dependem dela. E as novas pessoas sejam bem-vindas e que fiquem durante séculos, rsrsrs. E algumas quero que fiquem mesmo e tenham sempre o sorriso tão belo e verdadeiro.
Uma das coisas bem legais, comecei a trocar cartas esse ano, há muito tempo que deseja fazer isso, e esse ano consegui. Foi mais um ano de muito trabalho acadêmico, horas e mais horas pensando na UECE e como termina os trabalhos, se bem que essa realidade ainda não mudou. Algumas relações lá que mudaram, pessoas como sempre foram e novas chegaram, e algumas delas quero que fiquem, pois são dignas de carinho e respeito.
No grupo também foi um ano bem produtivo, conseguimos estar com vários trabalhos prontos, e ainda no final do ano montando outro, o que é ótimo, conseguimos nos manter até sem grandes aperreios. Tivemos alguns claro para não fugir da regra. Houve algo bem legal, esse ano tive o meu primeiro voo, como é bom estar nas nuvens, tão mais próximo de ti, tão mais próximo da liberdade, lá em cima tudo é tão calmo, e de lá pode contemplar tua beleza. Tudo é tão calmo quando visto de cima.
Na família tivemos alguns problemas de saúde, o que foi bem pesado a situação, mas graças a você foi tudo resolvido, podemos respira mais aliviados, também foi mais um ano sem as pessoas que amamos, não posso nunca esquecer de fazer memoria a minha Mãe, ao meu tio, e meu amigo Felipe, espero que você os tenha em um lugar bom, e saiba que eles fazem falta aqui. Não só eles mais como diversas outras pessoas boas que se foram esse ano.

Acredito que esse ano tenho muito a agradecer, agradecer pela coragem que me destes, a força, agradecer por mais um ano com a bike, e mais um monte de estradas cordas com ela, como é bom estar na estrada, como é bom saber que estou vivo, e que cada dia aprendo algo novo, e sempre, sempre encontro aquela paz contigo, e vejo cada vez mais a minha pequena humanidade diante do teu amor. Como é belo poder contemplar ti, eu o encontrei em diversas formas, agradeço pela música, pela literatura, pela filosofia, coisas que me completam, e através delas consigo ser um pouco melhor. Apenas termino essa carta, a primeira, ti dizendo obrigado, obrigado por tudo de bom, belo e amável que vive contigo esse ano. E por fim obrigado! 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Como eu sinto Deus? Como eu o vejo? O que ele é?
Eu talvez nunca consiga responder essas perguntas, eu apenas o sinto, e me deixo embriagar de sua loucura, me sinto feliz hoje, o encontrei na loucura, na força que me move, no que me faz buscar ser melhor, Deus é a liberdade no amor, que não fica preso, ou castrado dentro de nenhuma instituição ou regras. Deus é liberdade, mas não uma liberdade que me faça esquecer dos outros, não é isto, ele é uma liberdade que me fazer preocupar com os outros, que me fazer amar, sem preconceitos, sem meios amores, sem fechar os olhos as pessoas simples, e que o entendem melhor. Deus é livre dos desejos humanas de riqueza e poder, ele apenas é o que é, pleno.

Amado que sua loucura cada vez mais me possua, que cada vez mais eu esteja aberto a contemplar seus olhos, a sua beleza, a sua simplicidade, e que sua força me mova, seja o meu motor imóvel, que me faça ir além de mim. Que toda vez que eu me lembrar de ti, tenha eu vontade de dançar, de ser poeta, de ser humano, e sentir no meu corpo suas marcas, suas presenças.  Amado dos meus olhos, que eu nunca me perca de ti, assim como nunca desistiu de mim. Eu o agradeço por ser bom, belo e amável, e por cada dia doar-se por mim, obrigado por torna-se simples, torna-se pão e por estar próximo, obrigado por ser amor e unidade. Paz e Unidade. E que eu possa carregar na minha vida suas marcas, sua delicadeza, sua humanidade, o seu amor. Eu sou tão feio, mas isto não importa, quebrei meu espelho, acendi minhas velas pois encontrei a Deus, encontrei o amor, e tínhamos apenas as estradas, e a lua por testemunha, e eu o amei, amado de meus olhos. Apenas o amei em meio a nossa sã loucura.