No Direction Home

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No Direction Home - Porsche 911

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Ocean

                                                  Quero partir, quero encontrar o mar, quero abraça-lo e senti-lo como meu único amor, meu único e devoto ser, quero passar minha solidão com ele, o oceano tomou me a alma, tenho uma alma oceânica, quero sua profundeza, seu frio, sua solidão, e nessa solidão não mais preciso de mascaras, é onde eu me encontro face a face com a loucura e comigo. Minha solidão, meu eu, meu oceano, minha alma oceânica. Meu lugar de eterna liberdade e eterno silencio, o silencio do mar, é o mais próximo de ti que conseguirei estar, é onde me torno humano. Aonde encontro minha miséria, e tudo aquilo que é desprezado, e lá torna-se precioso, pois é o que tenho de mais meu, a minha humanidade.   

por: Marcelo Freitas. 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Nossas lutas, nossos Ananke.



Viver é um eterno movimento, é rasga-se, é lutar, é renascer, recriar-se, é um conjunto de vontades, logo nós somos frutos da Vontade, a força da vida não cabe em nós, e não provem de nós, provem da Vontade, de modo que toda nossa existência é sofrimento, o nosso “eterno vale de lagrimas”. E dentro desses sofrimentos há as nossas lutas, nossas fatalidades, em outras palavras nossos Ananke*. Podemos dividir nossas lutas em três partes, a religião, a sociedade e a natureza. Esses conflitos são frutos da nossa vontade, e disso nasce o sentimento de dependência, a necessidade, e como somos desejos, desejamos nos libertar disso tudo.
Nossa primeira dependência foi, e, é ainda a natureza, somos dependentes dela, porem lutamos para domina-la, queremos tornamos possuidores dela, a ter como nosso objeto, e sempre estamos em conflito, a maltratamos muito nesse combate, porem sempre somos vencidos, ela se mostra sempre superior, sempre soberana, dona de si, e também filha da Vontade. E como filha da Vontade, ela não é submissa, ela permite-se modificar conforme a vontade humana, mas sempre nos mostra como dependemos dela, e como ela é soberana.
Nossa segunda dependência nasce da primeira, a religião nasceu como um culto a natureza, dependemos dela, então a cultuávamos, criamos deuses e divindades com suas características, o deus do trovão, a deusa das aguas, os orixás das plantas, seres metafísicos que cuidam de cada elemento da natureza. Porem nossa vontade não suportar ser submissa a uma força, então criamos uma religião que nos tornamos filhos de Deus, Criamos uma religião que o próprio Deus deu aos humanos o domínio sobre todas as coisas, peixes, aves do céu, e animais e plantas da terra, a própria terra, é submissa ao homem.
Porem também cansamos desse Deus, e o matamos o pregamos numa cruz, sem choros e sem velas, e com ele foi todo o idealismo, toda bondade e todas as virtudes que ele pregava, e no local dele criamos instituições religiosas, ou seja, o ápice da vontade de dominar, agora não dominamos somente a natureza, dominamos também outros homens, através do medo, das riquezas, do poder e da alienação. Pegamos a vontade humana e divinizamos e colocamos como vontade suprema de Deus, quando esse “deus” não passa da vontade humana disfarçada, em mais uma forma de nos livrar do sentimento de dependência. Agora somos senhores de nos mesmo, sem deus, sem natureza, agora são homens escravizando homens, homens dependendo apenas de homens, porem os dominadores enganando-se a si mesmo, pensando que não dependem mais de nada.
E disso tudo cai na nossa última dependência, a sociedade, não dependemos mais da natureza, e nem de Deus, agora somos livres? Não, somos presos a nossas relações sociais, criamos o capitalismo, e com ele a miséria humana, homens precisando vender sua força de trabalho até a exaustão, mulheres forçadas a se prostituir, pessoas forçadas a mendiga e virarem subproduto de tudo isso, transformamos o mundo num inferno, onde nos dividimos entre almas atormentadas e diabos atormentadores.
Claro que nenhuma luta existe sem a outra, ambas são vividas simultaneamente, a cada geração elas se renovam, e se apresentam de formas diferentes, mais ainda assim continuam sendo as mesmas lutas.
A religião, a sociedade, a natureza: tais são as três lutas do homem. Estas três lutas são ao mesmo tempo as suas três necessidades; precisa crer, daí o tempo; precisa criar, daí a cidade; precisa a charrua e o navio. Mas há três guerras nestas três soluções. Sai de todas a misteriosa dificuldade da vida. O homem tem de lutar com o obstáculo sob a forma superstição, sob a forma preconceito e sob a forma elemento. Tríplice ananke pesa sobre nós, o ananke dos dogmas, o ananke das leis, o ananke das coisas. [...] A estas três fatalidades que envolvem o homem, junta-se a fatalidade interior, o ananke supremo, o coração do homem. (HUGO, 1982, p.11)
Assim caminhamos no nosso eterno vale de lagrimas, e impondo a cada geração futura o peso da existência, e condenados a pagar os preços de nossos crimes, a sangue frio. Deveríamos buscar ainda alguma virtude, ou resquício de virtudes, pois somos pobres serem lançados ao mundo, e de todos os seres somos os mais necessitados, abandonados a nossa própria miséria, devemos tomar consciência disso e buscar uma possibilidade de criar um mundo melhor. Não sei bem dizer, porém acredito que ainda haja esperança na humanidade. Devemos ver todo o nosso quadro de miséria, e transforma-la em vontade de vida. Vontade essa que não nos leve a uma autoaniquilação, e sim que, nos potencialize a fazer algo diferente e bom, assim como já tivemos os exemplos dos que romperam o véu de Maia, e fizeram sua vida expressão máxima da Vontade, e tomaram para si as dores do Mundo. Que possamos chega ao ponto de nos reconhecer em todos os seres, e que nenhuma miséria nos seja indiferente.  


Por Marcelo Freitas

*Ananke, palavra grega que significa fatalidade, ou necessidade. 


Biografia
Schopenhauer, Arthur. As dores do mundo, Edições de Ouro.
Hugo, Victor, 1802-1885. Os trabalhadores do mar/ Victor Hugo : tradução Machado de Assis. – São Paulo : ed. Abril Cultural, 1982.

Feuerbach, Ludwig, 1804-1872. Prelações sobre a essência da religião / Ludwig Feuerbach; tradução e notas de José da Silva Brandão. Campinas, SP: Papirus, 1989.

domingo, 29 de novembro de 2015

Primeira Semana do Advento, 2015.



O advento é as quatros semanas que antecede o Natal. Como já é de costume eu escrevo cartas nesse período, e é um dos melhores tempos do ano, fico feliz, pelo momento de termino de um ciclo e o começo de outro. A beleza do renascimento, a esperança volta, se torna mais forte, e se faz presente. Advento um tempo de espera, um tempo de misericórdia, o tempo onde tu ficas mais próximo. É um momento bom para refletimos sobre o ano, e o que fizemos, e também de pensar nos planos futuros.
Esse ano penso que passou bem rápido, posso avalia-lo como um bom ano, houve coisas legais, e coisas chatas também, como todo ano conheci novas pessoas, e algumas quero que fique durante muito tempo, e outras foram embora, e pela primeira vez fico feliz que elas tenham ido, acredito que foi melhor assim, é muito complicado conviver com pessoas que só pensam em si. E que inventa desculpas metafisicas para justifica atitudes que só dependem dela. E as novas pessoas sejam bem-vindas e que fiquem durante séculos, rsrsrs. E algumas quero que fiquem mesmo e tenham sempre o sorriso tão belo e verdadeiro.
Uma das coisas bem legais, comecei a trocar cartas esse ano, há muito tempo que deseja fazer isso, e esse ano consegui. Foi mais um ano de muito trabalho acadêmico, horas e mais horas pensando na UECE e como termina os trabalhos, se bem que essa realidade ainda não mudou. Algumas relações lá que mudaram, pessoas como sempre foram e novas chegaram, e algumas delas quero que fiquem, pois são dignas de carinho e respeito.
No grupo também foi um ano bem produtivo, conseguimos estar com vários trabalhos prontos, e ainda no final do ano montando outro, o que é ótimo, conseguimos nos manter até sem grandes aperreios. Tivemos alguns claro para não fugir da regra. Houve algo bem legal, esse ano tive o meu primeiro voo, como é bom estar nas nuvens, tão mais próximo de ti, tão mais próximo da liberdade, lá em cima tudo é tão calmo, e de lá pode contemplar tua beleza. Tudo é tão calmo quando visto de cima.
Na família tivemos alguns problemas de saúde, o que foi bem pesado a situação, mas graças a você foi tudo resolvido, podemos respira mais aliviados, também foi mais um ano sem as pessoas que amamos, não posso nunca esquecer de fazer memoria a minha Mãe, ao meu tio, e meu amigo Felipe, espero que você os tenha em um lugar bom, e saiba que eles fazem falta aqui. Não só eles mais como diversas outras pessoas boas que se foram esse ano.

Acredito que esse ano tenho muito a agradecer, agradecer pela coragem que me destes, a força, agradecer por mais um ano com a bike, e mais um monte de estradas cordas com ela, como é bom estar na estrada, como é bom saber que estou vivo, e que cada dia aprendo algo novo, e sempre, sempre encontro aquela paz contigo, e vejo cada vez mais a minha pequena humanidade diante do teu amor. Como é belo poder contemplar ti, eu o encontrei em diversas formas, agradeço pela música, pela literatura, pela filosofia, coisas que me completam, e através delas consigo ser um pouco melhor. Apenas termino essa carta, a primeira, ti dizendo obrigado, obrigado por tudo de bom, belo e amável que vive contigo esse ano. E por fim obrigado! 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Como eu sinto Deus? Como eu o vejo? O que ele é?
Eu talvez nunca consiga responder essas perguntas, eu apenas o sinto, e me deixo embriagar de sua loucura, me sinto feliz hoje, o encontrei na loucura, na força que me move, no que me faz buscar ser melhor, Deus é a liberdade no amor, que não fica preso, ou castrado dentro de nenhuma instituição ou regras. Deus é liberdade, mas não uma liberdade que me faça esquecer dos outros, não é isto, ele é uma liberdade que me fazer preocupar com os outros, que me fazer amar, sem preconceitos, sem meios amores, sem fechar os olhos as pessoas simples, e que o entendem melhor. Deus é livre dos desejos humanas de riqueza e poder, ele apenas é o que é, pleno.

Amado que sua loucura cada vez mais me possua, que cada vez mais eu esteja aberto a contemplar seus olhos, a sua beleza, a sua simplicidade, e que sua força me mova, seja o meu motor imóvel, que me faça ir além de mim. Que toda vez que eu me lembrar de ti, tenha eu vontade de dançar, de ser poeta, de ser humano, e sentir no meu corpo suas marcas, suas presenças.  Amado dos meus olhos, que eu nunca me perca de ti, assim como nunca desistiu de mim. Eu o agradeço por ser bom, belo e amável, e por cada dia doar-se por mim, obrigado por torna-se simples, torna-se pão e por estar próximo, obrigado por ser amor e unidade. Paz e Unidade. E que eu possa carregar na minha vida suas marcas, sua delicadeza, sua humanidade, o seu amor. Eu sou tão feio, mas isto não importa, quebrei meu espelho, acendi minhas velas pois encontrei a Deus, encontrei o amor, e tínhamos apenas as estradas, e a lua por testemunha, e eu o amei, amado de meus olhos. Apenas o amei em meio a nossa sã loucura. 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Em memoria de Aylan Kurdi







Em meio ao choro e a revolta essa imagem não me saiu da cabeça, fiquei pensando horas, essa criança poderia ser meu filho, meu irmão, meu afilhado, mas é de alguém que eu não conheço e se isto não tivesse ocorrido eu provavelmente não o conheceria. Mas mesmo sendo de alguém que eu não conheço e que não faz parte do meu ciclo de amizade, eu me importo, me tocou de um modo muito revoltante, doloroso, e de forma que eu não sei explicar, as palavras fogem. E eu me pergunto até quando nossos desejos iram matar pessoas inocentes? Até quanto as nossas mascaras vão ficar de pé? Quando vamos aprender a nos colocar no lugar do outro? Quando vamos aprender que a dor humana não é apenas de uma pessoa e sim de toda a humanidade? Somos egoístas demais para conseguir para e refletir, e enquanto não conseguimos fazer isto, vidas inocentes serão ceifadas, por qualquer motivo, deus, dinheiro, terra, boi e qualquer outra coisa que desejamos. 
Tenho vergonha de ser homem quando vejo imagens como essa, e o pior que tais coisas ocorrem em nosso país diariamente, quantas crianças vivem na miséria?  Quantas crianças matamos pelo simples desejo de poder e dinheiro? Quantas arvores e animais matamos em nome de um progresso que na verdade não passa de uma vontade de obter lucro? Até quanto vamos ser os piores seres sobre a terra? 
Quando teremos um outro olhar sobre nos mesmos?
"Quem levanta o lenço que cobre o rosto querido de uma pessoa muito sua, rosto que só será visto de novo no céu, o olhar é de dor, de despedida dolorosa, de quem fica de coração partido. (Dom Hélder Câmara, Um olhar sobre a cidade)." 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Lendo um livro de Dom Helder Câmara “Um Olhar Sobre a Cidade” me veio um convite muito especial. Lançar sobre a cidade um novo olhar.
Hoje enquanto escrevo chove, a minha cidade fica muito bela quando chove, eu amo a chuva. Na minha casa tem uma janela que dar para a rua, por causa da chuva fui fecha-la (Já que estava entrando agua e molhando a casa). Eu pude ver o céu com belas nuvens e como era e é lindo ver a agua caindo, ver a rua deserta, ou melhor nem tão deserta, pois tinha várias crianças tomando banho de chuva.
Como é lindo ver os postes tão solitários que ficam na rua, como é belo ver a agua refletida na luz desses postes. Da minha casa, dar para ver uma antiga castanholeira que fica na outra rua, como é bonito ver suas folhas, e como parece um quadro. O céu coberto de nuvens, nuvens meio bege ou amarelo (como queiram dizer), com a arvore suas folhas, e a luz da rua, dar um tom tão nostálgico.
Poderia passar horas olhando essa imagem, lançar um novo olhar, há coisas tão simples e belas, a calma que a chuva me traz, o ar fica mais húmido e mais frio, como é bom os pingos de chuvas caindo no papel enquanto escrevo.
Como é bom saber que estás aqui, obrigado por nunca me deixar só, eu tenho medo de várias coisas, e muitas pessoas me são caras, peço que as protejam e como diversas coisas tem me tirado a paz, preciso de um momento desse mais calmo, adoro andar de bicicleta na chuva, quase tomava banho voltando da faculdade.

Como é bom ver os sorrisos das pessoas, isto me deixa feliz, obrigado pela simplicidade, obrigado por hoje. Meu amado.

domingo, 21 de junho de 2015

Aquilo que se tem de mais precioso.


Houve um tempo, um tempo não muito distante que alguns homens se sentiam melhores do que os outros, e por isto achavam-se no direito de subjugar, e tira a liberdade um dos outros. Nesse tempo, homens eram aprisionados, amarrados e atirados dentro dos porões de navios tumbeiros, e levados para longe de sua terra natal, levados em condições de total miséria, e eram tratados como animais, e vendidos como mercadorias. Essas pessoas mesmo diante de todas essas humilhações resistiam, buscavam preservar o pouco que lhe fosse possível, língua, cultura e tradições.
Durantes esses atos de crueldade famílias eram separados, pais, mães e filhos eram colocados em navios diferentes para uma viagem longa e sem volta. Durante a viagem as crianças que já tinham a dor de serem separadas de seus pais, não poderiam chora dentro do navio, para não incomodar o senhor branco, então as outras negras, que por sua vez fora separada de seu filho, e conseguiam entender a dor do outro que foi separado de sua mãe, então ela sensibilizada com o sofrimento alheio rasgava de sua própria roupa e fazia uma boneca de pano, sem costuras, feita apenas de nós, de uma modo mais simples o possível, pois era tudo que ela tinha a oferecer, e essa oferta tornava o mundo daquela criança melhor, durante alguns momentos ela poderia esquecer a dor e os sofrimentos, e ter algumas horas de diversão no seu pequeno mundo infantil.
Essas bonecas ficaram conhecidas como Abayomi, que é uma palavra vinda da língua ioruba que significa “encontro precioso”, Abay = encontro, omi = precioso. Um encontro muito precioso, pois diante das dificuldades a humanidade ainda resiste, mesmo diante de uma grande crueldade, conseguimos nos tocar pela dor do nosso semelhante, e abrimos mão daquilo que nos é valioso naquele momento, as roupas daquelas negras era o que elas tinham de mais valioso, o que poderiam lhe livrar do frio, e mesmo assim, ela consegue abrir mão disso para servir ao outro, e humanizar um ambiente tão desumano. Quanto maior for a maldade de algumas pessoas, maior será o amor, a força e a vida de outras.  Que nunca percamos o significado das coisas simples, a vida é simples, porém é muito precioso.